sexta-feira, 27 de maio de 2011

Animais errantes - eliminar ou proteger ?


A Câmara Municipal do Porto (CMP) deu início a uma campanha de controlo dos animais errantes que pululam nos espaços públicos. A autarquia portuense vem recomendar aos seus munícipes que "colaborem na redução de alimento disponível nas ruas" para gatos, pombos e gaivotas. Para isso, disponibiliza um panfleto informativo onde expõe os problemas de saúde pública que estes animais provocam e fornece normas de actuação responsável, como sejam:

a) Não alimentar os animais errantes.
b) Esterilizar os gatos domésticos e mantê-los vedados.
c) Acondicionar correctamente os resíduos.
d) Não deitar lixo nem alimentos para o chão.

Como seria de esperar, esta medida tem provocado uma onda de indignação na página do Ambiente no sítio electrónico da CMP, com a autarquia ser acusada de ser "irresponsável e cruel" e a medida qualificada como "uma autêntica vergonha" e "iniciativa do IV Reich". Não consegui encontrar, aliás, um único comentário abonatório a esta medida! Louve-se, no entanto, a posição conciliadora do Gabinete de Comunicação: "em face deste anúncio, a CMP recebeu um número de comentários fora do habitual no seu site; no entanto, e apesar de muitos se encontrarem desenquadrados em relação à medida anunciada, decidimos publica-los, uma vez que não ultrapassam as regras definidas previamente para aceder a este espaço."

A meu ver, a campanha nada tem de condenável, e parece-me que as medidas propostas são do mais elementar bom senso, mas atrevo-me a apontar as razões para esta indignação popular:

a) A afirmação "Não alimentar animais errantes" é vista pela maioria das pessoas como um sinónimo de "matar à fome animais errantes", e é aqui que a CMP se arrisca a ver classificada como irresponsável e cruel. Mas uma não implica necessariamente a outra se for montado um sistema concertado de manutenção dos animais já existentes, algo que a campanha da CMP não parece prever.

b) Falar de gatos, ao mesmo nível de pombos e gaivotas. Os gatos são, acima de tudo, animais de companhia, com os quais se estabelecem relações afectivas. Pelo contrário, pombos e gaivotas são animais silvestres pelos quais não nos sentimos particularmente responsáveis. Penso que a CMP deveria ter feito a distinção entre dois tipos de animais errantes, respeitando assim as devidas diferenças. Por um lado gatos e cães (porque é que os cães vadios não estão aqui incluídos ??) e por outro aves (pombos, gaivotas) e, porque não, roedores (ratos, ratazanas).

Estou convencido que, se estes pontos tivessem sido acautelados, uma campanha desta natureza teria mais condições de ser compreendida e aceite.

14 comentários:

  1. Inmaculada Moreno Flores27 de maio de 2011 às 17:20

    Estoy de acuerdo en el apartado b, falta hacer una distinción entre animales silvestres, palomas y gaviotas y animales de compañía, donde incluiria perro y gato, ya que la causa de que sean errantes, es distinta, y por tanto, las medidas de control, también.
    En el caso de perros y gatos, el control deberia basarse, en la educación de la población contra el abandono de estos animales y la castración en gatos, que tengan acceso al exterior.
    Mientras que el control de estas aves errantes, es más complicado, ya que son móviles, adaptables y persistentes, y por lo tanto difíciles de controlar.
    Para mi, un primer paso si que sería lo descrito en esta campaña, ya que, estas aves acuden a los lugares donde encuentran alimento, pero añadiría otros métodos de control, ya que el problema con estas aves en Oporto, es muy importante y pueden contaminar los alimentos, transmitir enfermedades y deteriorar las estructuras.
    Otros métodos podrían ser: Cebos con narcóticos; trampeo de aves; eliminación de nidos y huevos de aves; e abatimiento de aves, esto solo en casos extremos, y con los permisos pertinentes.

    ResponderEliminar
  2. Juliana Campar Pego27 de maio de 2011 às 19:26

    A iniciativa da CMP para a protecção dos seus cidadãos e dos seus animais é, de facto, importante para travar a disseminação e a transmissão de doenças. Os animais errantes são uma preocupação de Saúde Pública, que diz respeito a toda a população, pois pode representar riscos para a população quer humana quer animal.

    No entanto, até que ponto é que esta será a forma mais correcta de abordar tal assunto, instituindo medidas sem discussão ou alerta prévio?

    A importância dos animais perante o Homem é evidente, principalmente os animais de companhia (cão e gato), mas também as pombas e gaivotas. Lembro-me de ir, tal como tantos outros conimbricenses, em pequena, à Praça do Comércio oferecer milho às pombas que por lá estavam, sendo esta quase uma questão cultural.

    Todos os que gostam (ou não) de animais, na sua juventude (em particular), devem ter tido algum episódio deste género, quer a alimentar animais dos parques, quer a fazer uma festinha a um cão ou gato que à sua porta parava. Quem nunca o fez? Mas, a verdade, é que nessa altura não havia consciência da nossa parte para o “perigo” a que estavamos a ser expostos.

    Mais que informação, devia haver campanhas de sensibilização da população para os riscos da circulação dos animais errantes, informação essa que chegasse realmente aos ouvidos dos interessados, explicando as possíveis medidas a serem tomadas para, após diálogo com os demais, se chegar a um consenso e aplicando assim, da melhor forma, as medidas adequadas e que auxiliassem no controlo destes animais. Se fosse mostrado o lado negativo dos gatos e cães que deambulam pela cidade, talvez fosse mais fácil introduzir as medidas que são propostas no panfleto.

    Embora sejam ambos animais errantes, deveria haver, de facto, distinção entre os grupos de animais implicados na campanha. A população tem relações distintas perante os diferentes grupos. Aplicar os mesmos critérios a gatos, pombos e gaivotas seria colocá-los ao mesmo nível, tratando-os de igual forma, como mostra logo à cabeça “a) Não alimentar os animais errantes.”.

    As sugestões oferecidas pela Inmaculada para o controlo de aves são, sem dúvida, várias soluções que parecem ser viáveis, apesar de virem a representar um maior investimento por parte da CMP e, por este motivo, questionáveis.

    ResponderEliminar
  3. Tendo tido conhecimento desta medida tomada pela CMP, através deste post, gostaria de deixar aqui a minha opinião acerca de alguns aspectos relacionados com este tema. Quanto à decisão da autarquia do Porto disponibilizar estes panfletos informativos, nada tenho de negativo a apontar, acho até que todos os municípios deveriam ser obrigados de informar e sensibilizar as pessoas para este problema gravíssimo de Saúde Pública e que também o considero de bem-estar animal! O problema está, a meu ver, que as “normas de actuação responsável” que eles apresentam não são em si as mais eficazes no combate a este problema. Quero com isto dizer que a intenção é boa, e que realmente algo tem que ser feito para atenuar este problema, mas o resultado final para conseguir isso através deste panfleto, fica muito aquém das expectativas e isso é notório através da “onda de indignação” das pessoas perante esta situação. Quando Maria Pinto Teixeira diz ao JPN “…o controlo dos animais de rua não deve ser feito através da fome.”, acho que expressa isso mesmo. As pessoas têm a tendência de ver as coisas como lhes dá mais jeito e neste caso preferem contestar esta medida e continuar a alimentar os animais errantes, do que tomarem a atitude correcta e sensata de alertar as entidades competentes para recolherem o animal da via pública, só porque pensam elas que estão a fazer um favor ao animal. E isto ocorre porquê? A meu ver porque as pessoas tem uma ideia errada de como funcionam os canis municipais e ainda é do senso comum que quando chamamos o canil para vir buscar o cão que se encontra vadio a deambular na nossa rua há mais de uma semana é igual a estarmos a dar-lhe uma sentença de morte. Eu falo por mim, para mim o significado de canil era o mesmo de eutanásia e isto devia-se ao facto de sempre me ter sido transmitida essa ideia desde que eu era criança. Felizmente isso alterou-se a partir do momento que tive oportunidade de estagiar um mês num canil municipal e de ver a realidade de perto. Infelizmente, ainda muito poucas pessoas têm ideia do número de animais que em vez de serem eutanaziados nos canis municipais, são adoptados com sucesso, tendo assim a oportunidade de terem um novo lar, com conforto e carinho. Mas eu pergunto, a culpa será destas pessoas? Até porque eu tal como elas pensava da mesma forma há 4 anos atrás. É por tudo isto que eu digo que existe falta de informação e que as mentalidades têm que mudar. A maioria do cidadão comum não consegue ver que estes animais errantes para além de constituírem um problema de saúde público para todos nós, também representam um problema de segurança para nós e para os nossos animais. Uma criança num parque infantil pode ser atacada por um cão vadio ou este atacar o nosso animal quando o levamos a passear à rua, e depois quem se responsabiliza por os danos causados por estes ataques? A pessoa que lhe tem dado de comida durante a última semana num recipiente de plástico à porta do seu prédio, em vez de chamar o canil para o vir buscar, dando assim uma oportunidade deste encontrar um novo lar? É claro que não, nesse dia essa pessoa alega que não é dona do animal ou pior que nunca o tinha visto! Para concluir, a seguinte mensagem tem que ser transmitida e sobretudo compreendida de FORMA CORRECTA, a alimentação de animais errantes é proibida por lei, e ao estarmos a fazê-lo vamos estar a fechar os olhos ao problema principal, adiando muitas vezes o sofrimento destes animais que vagueiam sozinhos pelas ruas das nossas cidades (sujeitos muitas vezes a serem atropelados por carros ou causar acidentes que põe mais uma vez em risco a nossa segurança), em vez de os ajudarmos realmente, procurando-lhes um novo lar através de sistemas de adopção criados pelas entidades responsáveis para o efeito. É urgente mudar de atitude, mas para isso é urgente INFORMAR!!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Carlos Dias, deve ter estagiado num dos melhores canis do país então. Olhe que a realidade dos canis portugueses é bastante negra (no geral). Ainda há bem pouco tempo atrás o canil do Porto eutanasiava uma média de 6 animais por dia. O de V.N.Gaia, um valor semelhante... em muitos canis portugueses os animais não comem nem bebem ao fim-de-semana e têm a sua água contaminada com a sua própria urina e fezes. Isto já para não falar no canil de Lisboa que dá banho aos pobres animais com jactos de água fortíssimos de uma mangueira estando o animal acorrentado e em stress com uma corrente de menos de 1 metro... Pode ver aqui um pouco da realidade: http://apacanimaiscadaval.wordpress.com/2011/10/13/alguns-canisgatis-lugares-de-horrores-pagos-com-os-nossos-impostos/

      Eliminar
  4. Caro Carlos,

    Obrigado pelo seu valioso comentário. Vejo que não concorda com a eficácia das medidas propostas pela CMP, mas que medidas alternativas pensa que poderiam ter sido tomadas, nomeadamente em termos de informação? Igualmente, desconheço a lei que proíbe a alimentação de animais vadios. É capaz de me elucidar sobre estes dois pontos?

    ResponderEliminar
  5. Este caso foi também notícia no suplemento Cidades do Jornal Público de 29 de Maio, que pode ser encontrada aqui:

    http://pdf.clipping.mediamonitor.pt/pdfTemp/etn_9322256_gci_959_0.pdf

    ResponderEliminar
  6. Outra questão de saúde pública são os ratos.

    Enquanto continuar a prática de deixar o lixo na rua em vez de em contentores fechados, penso que ou há gatos ou há ratos. Não sei o que é preferível do ponto de vista de saúde, mas a opinião pública não será em favor dos ratos.

    Se os gatos vadios são realmente essenciais para afastar ratos não sei, se calhar chegam os que tem casa mas que não estão sempre fechados. Mas se seguissemos todos os conselhos da CMP, não haveria nem os primeiros nem os segundos na rua.

    ResponderEliminar
  7. Neste debate colide uma ética de cuidados (care ethics) com uma ética consequencialista. Acredito na assistência social organizada como a medida mais adequada para combater problemas de pobreza, mas os meus donativos ao Banco Alimentar não me vacinam contra o incomodo que sinto quando vejo pessoas a pedir na rua.

    O que quero dizer com isso é que se pretendemos acabar com o que consideramos respostas inadequadas (como alimentar gatos vadios) temos que considerar também a situação imediata a que a resposta surge (a existencia de animais com fome).

    Uma resposta interessante da CMP podia ser a colocação de alimentos para gatos vadios em cada Ecoponto, e a captura e castração de todos os animais que lá apareçam. Assim podia com credibilidade dizer às pessoas preocupadas "nós damos por si" (como na campanha para acabar com o arrumador de carros).

    ResponderEliminar
  8. Carlos Dias, os "excelentes" canis municipais, que na maior parte se encontram nas oficinas da câmara, em barracões sem luz, sem salubridade, onde os animais se encontram em boxes ou jaulas minúsculas, onde são tratados sem humanidade por funcionários sem perfil nem competência para a função, têm como sentença, na sua grande maioria, a morte. Acredito que tenha tido a sorte de estagiar num diferente, mas a realidade da sua quase totalidade é esta.

    Está equivocado quanto aos animais encontrarem família. Um animal não socializado, vulgo "silvestre" ou "livre", não se adapta a viver em casa. Esses, que muitas vezes são alimentados, esterilizados e, na medida do possível, têm a sua saúde cuidada, vivem normalmente em colónias/matilhas e não causam problemas de saúde pública.

    A CMP nem os esterilizados, que apresentam um corte visível na orelha esquerda, como sinal de animal esterilizado e, por conseguinte, cuidado, respeita, tendo como sentença a morte...

    Países mais evoluídos que os nossos optaram pela solução da esterilização e, obviamente, pelo combate ao abandono e sua criminalização.

    Por favor leiam o que diz a experiência internacional sobre campanhas de controlo de população animal, por exemplo, em http://www.animaisderua.org/informacoes/alternativas_falhadas_ao_ced

    Cumprimentos
    AP

    ResponderEliminar
  9. Em relação ao assunto dos animais andarem na rua, sem controlo veterinário e poderem possuir, e mesmo transmitir, doenças às pessoas e aos nossos animais, penso que seja uma verdade que não pode ser contestada. No entanto existem diversas opiniões em relação ao que se deve fazer aos animais errantes, todavia acho importante salientar que um animal errante é aquele que é encontrado na via pública ou noutros lugares públicos fora do controlo e guarda dos respectivos detentores ou relativamente ao qual existam fortes indícios de que foi abandonado ou não tem detentor e não esteja identificado (artigo 2, linha c, DL nº 276/2001 http://www.pgdlisboa.pt/pgdl/leis/lei_mostra_articulado.php?nid=347&tabela=leis&ficha=1&pagina=1). Sendo assim, e tendo em conta que podemos verificar que o panfleto refere apenas gaivotas, pombos e gatos. Perguntamo-nos: então e os cães, ratos e outros animais que existem em locais urbanos?
    A meu ver esta campanha quis tratar todos os animais como iguais, desvalorizando a distinção que os humanos fazem das espécies, no entanto esta ideia não difundiu pelo contrário apenas criou revolta. Sendo assim, arrisco-me a afirmar que para as pessoas é uma ofensa falar de uma gaivota como se fala de um cão ou gato. Porém não justifica a ausência dos outros animais no panfleto. Contudo, defendo que isso possa ter acontecido devido ao excesso da população dessas três espécies de animais no momento, ou talvez derivado de queixas da população sobre esses animais, alarmados pelo receio das doenças que estes podem transmitir.
    Ainda assim penso que a solução mais apropriada não se deve restringir a deixar de alimentar estes animais mas sim melhorar as campanhas de esterilização e adopção destes. Portanto, devia-se iniciar este processo com uma campanha de desmistificação dos canis municipais, para que de alguma forma demonstrar o que acontece e o que cada canil municipal defende, pois existem canis que apenas permitem que os cães lá permaneçam o tempo mínimo e depois é tomada uma decisão quanto ao seu destino e outros que permitem que estes fiquem um bom espaço de tempo com um grande esforço para a adopção destes. Em seguida, então e só num caso extremo devia se proceder à eutanásia.
    Penso que se as pessoas fossem informadas neste sentido, com uma distribuição de panfletos apenas informativa e não tendenciosa, demonstrando às pessoas o problema e as diversas soluções e deixando-as tomar a decisão por si mesmas, esta campanha provavelmente teria tido maior sucesso entre os residentes da câmara municipal do porto.

    ResponderEliminar
  10. Cara Ana Sofia Silva:

    Não sei se concordo consigo quando sugere que o panfleto é tendencioso. Ele será, porventura, mal informado quanto às expectativas das pessoas em relação aos gatos vadios e por não equacionar os cães. Também penso que as soluções que propõe são construtivas mas pouco parecem contribuir para o problema dos animais errantes das espécies que aparecem no panfleto, já que dizem respeito a canídeos...

    ResponderEliminar
  11. Peço desculpa desde já pelo meu desvio em relação às soluções, realmente devia ter mencionado técnicas de controlo para as gaivotas e pombos, pois sendo que para os gatos atrevo-me a dizer que a solução é parecida com a dos cães, visto que se os gatis municipais tal como os canis fossem desmistificados e divulgados facilitaria o esclarecimento da população e levaria a uma tomada de decisão informada e ponderada.
    Relativamente às gaivotas acho que é importante mencionar que estas são animais que ao longo dos tempos se adaptaram, tornando a sua alimentação bastante variada, passando a comer quase todos os tipos de detritos urbanos. Esta alteração facilitou a sua sobrevivência e reprodução. O que actualmente se tornou um problema tal como a facilidade de adaptação dos pombos a qualquer tipo de ambiente. Estas duas aves, em espaços urbanos não têm predadores naturais o que faz com que os índices de sobrevivência sejam elevados, tornando-as indesejadas.
    A meu ver existem algumas soluções que podem ser ponderadas, obviamente tendo em conta o bem-estar dos animais e a zona em questão, pois algumas destas soluções podem não resultar em qualquer localidade. As soluções possíveis passam por dispositivos que transmitem determinados sons que afastam estas aves, ou pelo cuidado de construir as zonas de possível poiso das aves um pouco inclinadas de modo a que não permitam que estas poisem, ou ainda assustadores visuais como por exemplo manequins de corujas, falcões ou outras aves de rapina que não se encontram presentes nas zonas urbanas mas que num período inicial podem funcionar, afastando os pombos e as gaivotas. Também proponho a utilização de alimentação com substâncias que inibam a gestação, no entanto apenas em contextos extremos pois podem ser prejudiciais para a saúde não só das aves em questão mas também de outras que habitem a zona.
    Em relação à minha afirmação que o panfleto me parece tendencioso, era no sentido de que primeiro devia existir uma informação geral onde explicavam o que são animais errantes e quais os mais comuns e depois deveriam referir que existia uma problemática em relação às três espécies e que a Câmara Municipal do Porto (CMP) gostaria de alertar, diferenciando em seguida as técnicas de procedimento para cada animal. Visto que os gatos podem sempre ir para o gatil municipal, serem esterilizados e terem a sorte de encontrar um dono, o que não acontece com os pombos e as gaivotas que não devem ser privados da sua liberdade.

    ResponderEliminar
  12. A meu ver tem tanta responsabilidade quem abandona um animal na rua como quem o alimenta na rua. Quem realmente quer ajudar, adopta um animal, eu tenho muitos animais e certamente serei o último a abandonar um cão, mas também o último a alimentar um cão na via pública. Queremos mostrar a bondade, mas nós sim somos animais púdicos. Tentem levar um sem abrigo para vossa casa para tomar um banho e deixá-lo comer à Vossa mesa em vez de lhe dar um moeda para a mão e evitar sequer tocar a sua pele. Pois... não o farão. Os animais no fundo são sem abrigo que querem afecto e não caridade. Caso contrário deixem-nos ser livres e independentes. Fomos nós que os torná-mos dependentes.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro anónimo:

      Devo confessar que a minha reacção quando pela primeira vez pensei no tema dos animais abandonados foi a de pensar como você: de que há algo de intrinsecamente errado em alimentar animais da rua e na rua. E as razões são mais que muitas: não se assumir inteira responsabilidade por aquele(s) animal(is); o (mau) exemplo que se transmite às novas gerações; o perigo de saúde pública por deixar restos de comida e que poderão alimentar animais indesejados como ratazanas e pombos; e o perigo de transmissão de doenças (humanas e animais).

      Mas este é apenas um lado da história; o outro lado, mais emocional, e talvez menos racional, diz respeito ao papel de inserção social que estes animais desempenham em pessoas que vivem sozinhas e que não têm meios ou capacidades físicas para tomar conta de um animal (e que são cada vez mais). Numa altura em que o estado-providência diminui, eles - cães e gatos - funcionam como autênticos agentes sociais, muitas vezes o único motivo para alguém se levantar da cama, sair de casa, e estabelecer elos afectivos com outro ser (e quem sabe até com outras pessoas).

      Eliminar

Obrigado pela sua participação no animalogos! O seu comentário é bem-vindo, em especial se fornecer argumentos catalisadores da discussão.

Embora não façamos moderação dos comentários, reservamo-nos no direito de rejeitar aqueles de conteúdo ofensivo.

Usamos um filtro automático de spam que muito ocasionalmente apanha mensagens indevidamente; pedimos desculpa se isto acontecer com o seu comentário.