segunda-feira, 6 de junho de 2011

Fé nos Burros

O Fotógrafo João Pedro Marnoto tem andado por Trás-os-Montes, de aldeia em aldeia, atrás do gado asinino, e o resultado é o livro de retratos Fé nos Burros. O Projecto conta com a colaboração da Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino. Vejam também a rubrica da Teresa Firmino no suplemento P2 do Público de hoje.

8 comentários:

  1. Ao ler o título até pensei que fosse relativo aos últimos resultados eleitorais...:D

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  2. E agora um bocadinho mais a sério. Gostava de saber qual a posição das diferentes associações de bem-estar/direito dos animais acerca de umas das estratégias de conservação da AEPGA, que passa pela preservação de técnicas de cultivo de tracção animal (vide http://www.aepga.pt/portal/PT/111/EID/108/DETID/1/default.aspx).

    Há, nesta estratégia, um conflito entre a necessidade de preservar o burro (discutível para alguns, uma vez que se trata de uma espécie domesticada) e a de protegê-lo das agruras do trabalho na lavoura.

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  3. Nuno, é curiosa essa tua observação e serviu-me de inspiração para o meu próximo post, que já estava em lista de espera há muito tempo.

    Não estou certo de qual seria a posição de certas associações zoófilas já que os burros estão longe de ser uma prioridade. P.e., estive a ver o site da Animal e os asininos não fazem parte das suas áreas de actuação... Mas penso que depende: do ponto de vista dos direitos, a tracção animal será de todo inaceitável ao passo que do ponto de vista do bem-estar, estou convencido que a tracção animal seria aceitável dentro de certos limites. Nesse sentido, inseres-se a actuação de organizações como a The Brooke (www.thebrooke.org) que no entanto pode ser vista por outros como uma forma de perpetuar a exploração animal.

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  4. Do ponto de vista dos direitos dos animais, parece discutível o uso de animais em trabalho. Podemos argumentar que não vai contra o interesse do próprio animal desde que for bem tratado, mas sendo impossível obter o consentimento informado dele e dando lhe o benefício de duvida penso que a conclusão será não usar.

    De um ponto de vista focando no bem-estar do animal, não há razão de excluir o uso dos animais para trabalho. As pessoas têm que trabalhar e a maior parte de nós consideramos isto uma parte normal do funcionamento da nossa sociedade, desde que seja feito em condições decentes e em troca de um pagamento decente.

    Bem, isto era mais ou menos o que Manuel já tinha dito...

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  5. A acrescentar, que bem que há muitos exemplos de exploração animal em todos os sentidos da palavra, há também muitos exemplos do animal de tracção ser considerado um companheiro de trabalho.

    Um exemplo brilhante disto é o livro Platero y yo http://es.wikipedia.org/wiki/Platero_y_yo.

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  6. A algumas décadas atrás não era preciso ir muito longe para ver burros: nas aldeias havia muitos, e até em algumas cidades eram vistos, por serem usados como meio de transporte.
    Actualmente é necessário ir de aldeia em aldeia para encontrá-los, sobretudo em lugares recônditos, muito longe das cidades, sendo usados como meio de transporte ou para trabalhos agrícolas.
    No entanto, Miranda do Douro é ainda um reduto do gado asinino e detém mais de um terço do efectivo nacional de burros, que pouco ultrapassa os quatro mil exemplares.
    Contudo, pode-se dizer que os burros estão a desaparecer em Portugal, estando os burros mirandeses em perigo de extinção.
    A União Europeia, em 2002, reconheceu o burro mirandês como raça asinina a ser protegida, entre as raças autóctones, devido à ameaça de extinção.
    Cerca de cem criadores do burro de Miranda receberam só em 2008 o subsídio de manutenção da raça, que poderá incentivar um aumento na reprodução de animais.
    Porém, estes subsídios são importantes, mas não se sabe as condições em que estes animais se encontram, só para o dono receber este abono. Assim, devia haver alguma entidade responsável para averiguar estes casos. E também durante os anos de espera pelo prometido subsídio, muitos criadores reclamaram que não tinham condições suficientes para manutenção destes, podendo interrogar a sua situação precária.
    Deve-se também ter cuidado com as atividades para “rentabilizar” os animais, para não os expor demasiado a trabalhos pesados, como também às pessoas, durante os passeios turísticos e de terapia. Ainda há oportunidade de utilizar o leite de burra para cosméticos, mas para tal deve-se questionar se o burro tem de se tornar um animal de produção intensiva, de modo a ser lucrativo.
    Assim, é importante tomar medidas para assegurar a preservação do burro mirandês, de forma a incentivar os criadores, mas sem esquecer as condições necessárias para o seu bem-estar.

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  7. Cara Íris:

    Obrigado pela sua contribuição. Já tem sido discutido neste blog o insuficiente controlo por parte das autoridades das medidas de recuperação de raças autóctones (como os Garranos e os Burros Mirandeses). O mesmo se passa com o bem-estar. Há legislação mas não há mecanismos que garantam o seu cumprimento. E, como diz, estamos aqui a falar de umas centenas de animais, o que estará longe das prioridades de qualquer ministério. Mais do que "policiar" o bem-estar dos burros, o estado deveria delegar esse papel às associações locais. Medidas como as que elencou são já promovidas pela AEPGA, com obvios benfícios para as populações locais.

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  8. As associações locais devem ter um papel fundamental em divulgar os direitos dos animais, denunciar casos de violência, alertar para determinadas doenças e cuidados básicos, promover campanhas de apadrinhamento / adopção, como ainda fomentar a preocupação para a preservação da raça asinina, nomeadamente a mirandesa. Contudo, estas não têm autoridade nem poder para fiscalizar e para aplicar sanções caso necessário. Acho que estas associações devem apoiar as populações locais no que for preciso, devendo haver outra entidade responsável para tal, mas em Portugal deve ser pouco provável que venha existir algo parecido.
    A Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino (AEPGA) foi criada em 2001, com a finalidade da inscrição dos animais no livro genealógico e elaboração do plano de melhoramento da raça. O principal objectivo é aumentar o efectivo da raça mirandesa. A AEPGA tem desenvolvido no terreno campanhas de bem-estar animal, no que diz respeito ao apoio veterinário geral, ao aparo de cascos, aos dentes, de preservar as crias, os tratamentos para a queda de pêlo e sarna.
    Deste livro genealógico, segundo a última estatística efectuada pela AEPGA, em 2003 ocorriam 5 nascimentos por ano, em 2008 já eram 50, sendo identificadas 850 fêmeas reprodutoras, das quais mais de metade já tinham alguma idade. Contudo, em 2010 registou-se cerca de 130 nascimentos.

    VIDEO sobre AEPGA
    http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/NoticiasVida/2010/10/associacao-de-tras-os-montes-trabalha-ha-quase-10-anos-na-preservacao-do-burro-de-miranda06-10-2010-.htm

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