quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Proteger os animais protegendo as crianças?

Como se de propósito ao post anterior, a notícia que a ONU quer limitar a participação de crianças em touradas. A preocupação surge num relatório sobre a situação portuguesa no que respeita aos direitos das crianças e tem a ver com o potencial impacto da violência nas touradas sobre as crianças que assistem ou até participam. 

3 comentários:

  1. A mente de uma criança é muito influenciável, absorvendo rapidamente qualquer estímulo, bom ou mau, e por isso não deve ser exposta a violência gratuita, o contacto com as touradas só deveria ser feito quando tiver maturidade para fazer os seus próprios julgamentos.

    Imagino que uma criança que vá a uma tourada não estará a desfrutar do espectáculo, defendido pelos apoiantes da tauromaquia, que é dado pelo cavaleiro. Na minha opinião o que a criança irá apreciar será a luta do cavaleiro bom contra o mau do touro. Se o touro quer bater no cavaleiro porque é que o cavaleiro não pode bater no touro? Sem contar no reforço positivo efectuado pelo bater de palmas sempre que o cavaleiro crava um ferro no animal...
    Através destes espectáculos podemos estar a tornar as crianças amorais, irão crescer e mostrar aos seus filhos os animais como simples ferramentas, seres descartáveis e sem sentimentos.

    Claro que não podemos ser tão simplistas e culpar só as touradas, existem muitos mais eventos que têm as mesmas repercussões. O que é necessário é incutir o sentido de responsabilidade, estimular a compaixão, o senso de justiça, o respeito e zelo.
    Se promovermos a consciencialização das sensações e sentimentos dos outros seres, vamos obter uma maior probabilidade de reflexão dos efeitos que as nossas acções têm sobre os outros.
    As crianças formam os seus conceitos e as suas atitudes durante os seus anos de formação, o que uma introdução de Bem-Estar, a longo prazo, irá reforçar o desenvolvimento de actividades compassivas nas futuras gerações.

    Existem estudos que correlacionam maus tratos de animais com maus tratos de crianças, em que se observa que crianças cruéis para com os animais se tornam adultos cruéis para com as outras pessoas (Kellert e Felthous, EUA, 1985).

    Concluo que é necessário quebrar o ciclo de indiferença para com o sofrimento dos outros seres, cuidando as crianças.

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  2. Tal como a Declaração Universal dos Direitos dos Animais o defende, «faz parte da educação, ensinar, desde a infância, a observar, compreender, respeitar e amar os animais», sendo que, «o respeito pelos animais, por parte do homem, está relacionado com o respeito dos homens entre eles próprios».

    Com efeito, e ainda que os sujeitos morais da iniciativa da ONU em apreço, reportada a 31 de janeiro último, sejam as crianças e os adolescentes, e não os animais per se, esta constitui certamente mais um contributo para a (tentativa de) salvaguarda de tais fundamentos na sociedade contemporânea.
    Por seu turno, foi aprovado, a 14 de fevereiro último, um decreto-lei que define o regime de funcionamento dos espetáculos de natureza artística e onde tais espetáculos passam a ser classificados para «maiores de 12 anos», também ela objeto de interpretações distintas no seio da sociedade civil.
    Certo é que a recomendação da ONU a Portugal tem suscitado reações manifestamente dissonantes, as quais deixam transparecer abordagens antagónicas em matéria de bem-estar e ética animal, consoante os princípios e valores por que se pautam cada um dos stakeholders que têm expressado o seu entendimento quanto à mesma, tanto à escala nacional como internacional.

    Em concreto, são visíveis manifestações a favor de tal recomendação, nomeadamente por parte de instituições assumidamente pró-direitos dos animais, como sejam a One Green Planet e a CAS-International. Por outro lado, encontramos reações contrárias por parte de entidades com motivações díspares, conforme atestam notícias que têm surgido sob diferentes canais de comunicação nacional, tais como as divulgadas pela RTP e pelo DN, entre outros.

    À luz da ética animal, enquanto que o primeiro grupo de atores da sociedade civil prosseguirão uma visão concordante com a teoria da defesa dos Direitos dos Animais, os do segundo grupo serão protagonistas de intervenções porventura mais próximas da subjacente ao contratualismo.
    Numa perspetiva de direitos e valores morais, os primeiros considerarão os animais em questão como seres de valor absoluto (ou valor intrínseco/inerente), enquanto legítimos sujeitos de direito, por oposição aos segundos, os quais atribuirão a estes animais um valor instrumental (ou valor extrínseco), utilizando-os como um meio para a satisfação de interesses humanos de natureza mais economicista.
    Já em matéria de bem-estar animal, creio não haver grande margem para divergências de entendimentos quanto ao (des)respeito pelos princípios das cinco liberdades associado a espetáculos desta natureza.

    Para leitura e reflexão, eis uma reportagem realizada pelo Público no rescaldo de ambas as iniciativas supramencionadas.

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  3. Obrigada pelos comentários.

    A observação " o que a criança irá apreciar será a luta do cavaleiro bom contra o mau do touro. Se o touro quer bater no cavaleiro porque é que o cavaleiro não pode bater no touro? " é interessante e relacionado com a ética da tauromaquía, que defende (alem do alegado valor artistico e moral da tourada) a tourada como uma batalha justa e honesta entre touro e toureiro.

    Não tendo lido o relatório (não me parece fácil de o localizar), não me quero pronunciar sobre a base para as conclusões nele. Mas como questão de princípio, concordo que é discutível usar um relatório de uma ONG com uma clara agenda como fonte principal de informação (ver aqui http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=3703675&seccao=A%EF%BF%BDores).

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