quinta-feira, 4 de outubro de 2012

E porque hoje é dia do animal...

Uma série de iniciativas tem lugar hoje por todo o globo, não sendo Portugal a excepção. De entre as actividades organizadas por autarquias, zoológicos e várias associações, destaco a devolução de vários animais ao habitat natural pelo Centro de Recuperação de Fauna Selvagem do Parque Biológico de Gaia.






Clique na imagem para um programa detalhado da libertação de animais selvagens pelo Centro de 
Recuperação do Parque Biológico de Gaia



















A autarquia de Valongo é uma de várias que hoje dedicam um programa especial para comemorar este dia (clique na imagem para mais informações).







O Centro Veterinário Universitário Vasco da Gama abrirá hoje as suas portas para um dia destinado a várias sessões de aconselhamento veterinário, apelando às Associações de Protecção Animal que se juntem a essa acção (clique na imagem para mais informações).

Jerry Coyne: Porque é que a evolução é verdade mas poucos acreditam nela?

PORQUE É QUE A EVOLUÇÃO É VERDADE (MAS POUCOS ACREDITAM NELA)?

Casual Conferences
Orador: Jerry Coyne
06 OUT 2012 (Sáb), 15h30
Auditório da Fundação de Serralves, Porto

Entre as maravilhas que a ciência tem revelado acerca do universo, nenhum assunto desperta maior fascínio e debate do que a evolução. Porém, raramente se menciona aquilo que importa: as provas, os dados empíricos que demonstram o processo de evolução por selecção natural. E essas provas são extensas, variadas e grandiosas, provindo de um espectro alargado de investigação científica, desde a genética, a anatomia e a biologia molecular, até à paleontologia e à geologia.

Nesta palestra, Jerry Coyne, um dos mais conceituados biólogos evolucionistas a nível mundial, apresentará um resumo sucinto e acessível dos factos que corroboram o processo evolutivo – incluindo as provas que reuniu no seu já famoso livro A Evidência da Evolução, cujo lançamento em português terá lugar nesta sessão, e provas adicionais que surgiram desde então. Ao demonstrar a existência da «marca indelével» dos processos inicialmente apresentados por Darwin, Jerry Coyne mostrará que a evolução é mais do que uma teoria: é um facto de que ninguém pode duvidar. Apesar disso a ideia de evolução continua a ser rejeitada por muita gente em todo o mundo. Jerry Coyne discutirá as razões desta resistência e sugerirá algumas estratégias que tornarão mais consensual a teoria da evolução.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Donos de peixes procuram-se!

Para um projeto de doutoramento a decorrer na Universidade de Western Australia, procura-se donos de peixes de aquário dispostos a participar numa sondagem on-line. Vejam a mensagem da doutoranda Miriam Sullivan.

If you own fish or can pass on the survey to someone who does, please visit  https://edu.surveygizmo.com/s3/1012880/fish  for more information.
This study is purely for research purposes and has been approved by The University of Western Australia’s Human Research Ethics Committee (RA/4/1/5511). You will NOT be contacted for commercial or marketing reasons.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Memento Mori - Podem os cães ter dignidade?


Esta história soube-a há dois meses atrás por uma crónica da Ana Bacalhau no DN. O artista de Taiwan Tou Yun-Fei capta uma última imagem de cães vadios minutos antes de serem eutanasiados (saiba mais aqui). O projecto chama-se Memento Mori e pretende chamar a atenção para o abandono de animais naquela ilha do sudeste asiático. A pose estudada, aliada ao equilibrado jogo de luzes, confere uma qualidade particular às fotografias. De tal forma se assemelham a retratos humanos que quase somos levados a acreditar que os cães estão, de facto, conscientes do seu destino o qual encaram com dignidade. Mas podem os cães - abandonados ou não - ter dignidade? 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Prevenção da mordedura canina - Mesa Redonda

A Associação Psianimal promove, dia 23 de Setembro, pelas 17.30, uma Mesa Redonda subordinada ao tema "Programa de prevenção da mordedura canina", que terá lugar na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa. 

Após várias notícias relacionadas com ataques de cães de raças potencialmente perigosas, a realização deste debate tem como objectivo a reflexão e discussão da situação actual em Portugal, bem como, a implementação de medidas para evitar estes acidentes, destacando-se a educação da população. O objectivo é perceber as causas para se poderem prevenir e evitar os danos causados pelas dentadas caninas. 

A mesa redonda irá dividir-se em dois momentos. Primeiramente, pretende-se partilhar os diferentes pontos de vista de diversos profissionais que lidam directamente com este problema, seja com os cães, donos ou vítimas. Num segundo momento o objectivo é alargar a discussão à audiência, onde contamos com a presença de profissionais com  diferentes experiências que nos irão ajudar a delinear medidas para se prevenirem estes acidentes.

No debate estarão os seguintes convidados: Sónia Ramalho - jornalista (moderadora), Gonçalo da Graça Pereira (Presidente da PsiAnimal), Nuno Vieira e Brito (Director Geral de Alimentação e Veterinária), o presidente da Associação de Médicos Veterinários Especialistas em Animais de  Companhia, Dra Clara Alves Pereira (Médica Pediatra) e entre outros a confirmar.

A mesa redonda está inserida no primeiro fim-de-semana do II Congresso da Psianimal, onde vários temas sobre comportamento e bem-estar animal serão abordados. Dos vários temas realçamos a palestra "Prevenir a agressividade em cães: a solução!" pela Dra. Tiny De Keuster, domingo, às 16.00, e a demonstração de cães de assistência pela Bocalán Portugal, no sábado, pelas 18.00.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Desmistificar a agressividade canina

O último mês de Agosto foi pródigo em notícias (aqui e aqui) de acidentes com cães de raças consideradas perigosas e que resultaram em mortes ou lesões graves em pessoas. A agressividade canina é um daqueles temas que mais padece de raciocínios erróneos ou mistificados. Por isso é que a opinião da colega e amiga Mónica Roriz (MR), na página web da revista profissional Veterinária Atual, é tão importante. Num artigo chamado Os Potenciais Perigosos, MR procura desmistificar o binónio agressividade - perigosidade associado a certas raças de cães, com especial incidência no papel do médico veterinário. Um dos aspectos que MR refere diz respeito ao procedimento, considerado de boa prática clínica, de isolar o cachorro durante o período de primovacinação, que normalmente ocorre entre o mês e meio e os quatro meses de vida. No entanto, este é também o período crítico de sociabilização do animal, que em grande medida determinará o seu comportamento futuro, altura em que o cachorro deve ser exposto ao maior número possível de estímulos. Os dois pontos de vista têm sido tomados como inconciliáveis, com os médicos veterinários a privilegiarem a protecção da saúde do animal (e do seu bem-estar físico) em detrimento do seu comportamento (mais relacionado com o seu bem-estar mental). As razões para esse facto permanecem por esclarecer mas atrever-me-ia a apontar a existência de lacunas consideráveis no ensino universitário do comportamento animal. Uma boa forma de colmatar essas lacunas é através da formação pós-graduada, existindo já ofertas de cursos on-line especificamente direccionados para médicos veterinários. A não perder também o Congresso da PSIANIMAL que decorre este mês em Lisboa, sendo o primeiro fim de semana inteiramente dedicado à agressividade canina e felina. A forma como MR descreve o fatídico caso do dogue argentino faz-nos pensar que mais (e melhor) poderia ter sido feito no acompanhamento (e aconselhamento) daquela família.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Quando os macacos se apaixonam: Recensão


Por Paulo Gama Mota, Director do Museu de Ciência e Professor Associado da Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade de Coimbra.

Com o subtítulo ‘A vida afetiva dos animais: das pequenas formigas aos gigantes elefantes’, esta obra de George Stilwell (Edição Esfera dos Livros, 2012) procura apresentar a um público leigo, mas interessado, alguns aspectos mais interessantes e singulares do comportamento reprodutivo dos animais.  O livro está bem escrito, num estilo rápido e cativante, em que o autor recorre com grande frequência a analogias humanas, que contribuem, através de paralelismos antropomofizantes, para criar uma ligação e empatia com o comportamento desses animais. 

O olfacto sexual das moscas da fruta, machos de abelha cujos genitais ficam na fêmea, pavões com caudas que são semáforos sexuais, pénis destacáveis do argonauta, os repertórios do pardal-cantor, o contraditório macho esgana-gata, a monogamia dos pinguins reais, o parasitismo dos cucos, a sabedoria intrínseca de um picanço a atacar um escorpião, a aprendizagem social em corvos, o desenvolvimento do canto em bicos-de-diamante, o logro químico nas formigas, ou visual nos pirilampos, são alguns dos muitos exemplos passados em revista. A narrativa não se detém muito em cada exemplo. Apresenta-o com uma pincelada, de onde se destacam os elementos com que se pretende ilustrar uma regra, ou um princípio do comportamento, ou uma singularidade. O livro organiza-se em sete capítulos abordando questões reprodutivas como a escolha do par, a gestação, ou os cuidados parentais, e outras que decorrem da existência, como a complexa questão do desenvolvimento do comportamento, a vida social e as situações de cooperação e conflito.

O estilo da escrita adequa-se bem ao público-alvo, não procurando uma caracterização exaustiva do comportamento reprodutivo dos animais, com exposição das teorias explicativas associadas. A preocupação do autor vai antes no sentido de suscitar o interesse do leitor que conduza a outras leituras mais aprofundadas sobre um determinado tema. Mostrar quão fascinante e diversificado pode ser o comportamento animal, é a principal motivação do autor. 

À organização dos exemplos subjaz um conjunto de princípios e teorias científicas, que apenas são aflorados para uma explicação contextual. Os comportamentos extra-par são justificados para aumento da diversidade genética, ou da evolução dos cuidados parentais em função das vantagens para a espécie, ou a evolução do canibalismo filial que é apresentada como vantagem selectiva para a descendência. 

É aqui que encontramos problemas na consistência teórica de alguns argumentos.
A obra oscila entre a lógica do interesse da espécie e a do interesse dos indivíduos ou dos genes, adoptando frequentemente a posição do ‘interesse da espécie’, como é claramente explicitado logo no início, na p. 18 e depois na explicação dos conflitos de interesses entre os sexos quanto aos cuidados parentais (p. 78-9) ou na forma confusa como o assunto do canibalismo é tratada (p.103-5). O argumento ‘para o bem da espécie’ foi desmontado no campo teórico, na década de 60, pelos trabalhos de George Williams, Bill Hamilton e John Maynard Smith, que mostraram que o comportamento evolui não por causa do interesse da espécie, mas o dos indivíduos ou dos genes que transportam. Quando um macho de leão matam as crias de outros machos, a fêmea fica fértil mais cedo, o que implica que pode mais rapidamente conceber crias do novo macho. O comportamento não é vantajoso para a espécie, mas evoluiu por ser evolutivamente vantajoso para o macho em questão.

Um outro aspecto que me merece crítica é o raciocínio teleológico subjacente à análise dos processos evolutivos: “A racionalidade da Evolução faz-se sentir na forma como reajusta o sucesso reprodutivo […] à exigências da situação”(p. 20) e que encontramos em inúmeras passagens na obra.  A evolução resulta de um processo puramente mecanístico decorrente de haver diferenças genéticas entre os indivíduos e de estes competirem por recursos. Atribuir-lhe uma inteligência e uma intencionalidade que não possui, embora possa facilitar o discurso e a explicação, é errado e conduz inevitavelmente a que se construam quadros mentais errados sobre a evolução dos comportamentos. 
O estilo de analogias antropomorfizantes utilizado para criar familiaridade ou fazer uma piada com a situação, com referências a reduções nas saídas do casal ao cinema (p. 64) como analogia para os custos dos cuidados parentais, ou às fêmeas preferirem a inteligência à força bruta (p. 21), pode ser excessivo para alguns, ao cruzar uma linha fina entre descrição factual e interpretação excessiva. Há vantagens e desvantagens neste processo de escrita, que o autor reconhece ao discorrer, no prefácio, sobre a intencionalidade do comportamento animal e sobre as inferências que nos é permitido fazer acerca da mesma. Neste caso, as vantagens de aproximação com o leitor compensam as desvantagens da interpretação distorcida ou menos precisa.  

De um modo geral, o propósito de divulgação do comportamento sexual entre os animais é conseguido de forma interessante, embora o estilo antropomorfizante possa provocar uma reacção menos positiva por parte dos biólogos do comportamento. Uma revisão da discussão sobre conceitos evolutivos, em futuras edições deste livro, seria desejável para que possa melhor servir a sua dupla função de entreter e de informar.

sábado, 1 de setembro de 2012

Animal Mosaic - outra forma de comunicar o Bem-estar Animal

Sob a égide da Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA, na sigla inglesa), ANIMAL MOSAIC é o mais recente site dedicado ao Bem-estar Animal. O site propõe ser uma plataforma de debate e fonte de informação sobre o mundo animal e da forma como as questões de bem-estar se relacionam com outras preocupações globais.

Das muitas fontes de informação disponíveis, é de destacar a versão renovada da ferramenta Concepts of Animal Welfare, que anteriormente só estava disponível em CD-ROM.  Esta pode ser uma boa maneira de se iniciar no multifacetado mundo (científico e filosófico) do Bem-estar Animal. Outra ferramenta importante é o Sentience Mosaic, que se vem assim juntar ao já existente Animal Sentience da Compassion in World Farming, outro site de uma ONG dedicado à consciência animal. O Sentience Mosaic providencia um Fórum de discussão sobre temas de senciência, consciência e cognição animais (e já com algumas entradas).



Ambas as ferramentas, no entanto, devem ser usadas com um alerta: as visões nelas expressas não reflectem todo a panóplia de opiniões existente no universo do Bem-estar Animal. Elas são o reflexo das estratégias e campanhas levadas a cabo pela WSPA. Na qualidade de organização líder mundial em protecção animal, a WSPA veicula uma mensagem marcadamente antropomórfica do comportamento animal, como aliás se pode perceber pelo vídeo, e que não é partilhada por todos os cientistas e filósofos.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Veterinária e Animais: longe da vista, longe da profissão ?

Texto da autoria de Ana Santos, Bruno Lopes e Leonor Valente
Alunos da Pós-graduação em Bem-estar Animal, ISPA

A utilização de animais - resultando muitas vezes em sofrimento ou morte dos mesmos - continua a ser comum na educação veterinária em disciplinas como cirurgia, fisiologia, bioquímica, anatomia, farmacologia e parasitologia. Nos dias de hoje, em que se sabe que os animais sentem dor e stress (o conceito de senciência animal está, aliás, consagrado na lei da União Europeia desde 1997), parece assim pouco ética a utilização e manutenção de animais para uso exclusivo no ensino, e sua perpetuação, pode estar ligada a uma falta de planeamento e aproveitamento dos recursos já existentes nas faculdades. Este tipo de abordagem tem implicações na formação dos próprios alunos, ao promover uma desvalorização da própria vida dos animais. Tem também um impacto negativo no bem-estar dos animais implicados e nos custos que a manutenção e uso de animais representa para cada faculdade. Substituir este tipo de prática por outras alternativas mais éticas e com resultados de aprendizagem igualmente satisfatórios trará novas oportunidades para professores, beneficiará os alunos, as faculdades, o mercado (explorações pecuárias, clínicas e hospitais veterinários, associações zoófilas) e, não menos importante, os animais.

Tradicionalmente, a profissão veterinária não tem sido a mais activa no avanço do ensino e divulgação das questões de bem-estar animal (Nota do Editor: um papel muitas vezes deixado a organizações como a WSPA). Isto é atribuído em parte à educação inadequada para esta temática durante o curso já que parece haver uma inibição do desenvolvimento da capacidade de raciocínio moral ao longo dos cinco anos de formação. Esta inibição pode ter duas explicações: pode, por um lado, ser devida aos exemplos dados pelos docentes, que em muitos casos não terão tido formação específica em questões de natureza ética e de bem-estar animal, e, por outro, pode também representar uma adaptação que permite aos alunos suportar o stress psicológico resultante do sofrimento causado em seres sencientes e na ausência de motivo aparente.

Algumas das alternativas realistas e que podem ser utilizadas para eliminar a utilização de animais no ensino incluem o recurso a modelos cirúrgicos e programas multimédia. No entanto, e apesar de existirem já várias alternativas que promovem igual ou mesmo maior aprendizagem por parte dos alunos (Nota do Editor: é o caso do simulador de palpação transrectal), continua a existir a necessidade de trabalhar com animais vivos em determinadas matérias. Esta prática não tem de ser eliminada, mas é necessário certificarmo-nos da proveniência, manutenção e destino desses animais. A título de exemplo podemos pensar nas faculdades de medicina veterinária em Portugal, as quais têm um hospital associado à instituição. Se os animais que procuram estes hospitais realmente necessitam de uma intervenção médica poderão ser aproveitados como objeto de estudo para os alunos, sem que se levantem questões éticas adicionais e permitindo que os alunos beneficiem exatamente do mesmo tipo de prática. Isto traz também a vantagem de permitir ao aluno uma noção mais real da prática clinica. Outro exemplo são as associações zoófilas que frequentemente se deparam com a sobrepopulação de animais e a escassez de cuidados médicos dos mesmos. Estes animais poderão também servir os alunos como objeto de estudo suprindo as necessidades das associações.

Na nossa opinião, estes são apenas alguns exemplos que demonstram como a utilização e manutenção de animais com fins exclusivamente educativos se pode tornar obsoleta e desnecessária existindo, no entanto, alternativas para a formação melhorada dos profissionais mais profundamente consciencializados para temas éticos e de bem-estar animal.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Educar para mudar?


No meio da minha leitura dos textos vindos do trabalho de didática em bem-estar animal, encontrei na última edição da revista Animal Welfare uma recensão do livro Education for Animal Welfare. O balanço custo (99,95€) - benefício (88 paginas e uma critica bastante reservada) não me faz correr a comprar o livro, mas a crítica de autoria de Siobhan Abeyesinghe levanta varias questões importantes que aproveito para trazer para cá:

“The issue, as with many environmental and health concerns, is not how to reach those who are already sympathetic, but how to reach those who are not. The risk of using very emotive and castigating language to raise awareness in the first place is in actually alienating rather than engaging the audience whose attitudes and knowledge we wish to alter. Likewise, I found the implication that simply raising awareness alone would necessarily change human attitudes and thus improve animal protection somewhat naïve. In terms of aiding the prospective educator, I consider an opportunity to address the education and learning process itself was missed. For example, what should education aim to act upon? Knowledge alone may not necessarily be implemented if it is counter to beliefs or not perceived to be of personal relevance; positive and caring attitudes may actually be detrimental to welfare without appropriate knowledge – pet obesity is an example of ‘killing with kindness’; animal welfare-promoting behaviour may not be implemented if a person does not perceive it to be their responsibility; they perceive it to risk censure or they do not consider their behaviour will make a difference. So, is it necessary to alter knowledge, attitude, behaviour or combinations of these factors? How do we achieve this and how do we address barriers to their implementation?"

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Animais de estimação – uma escolha para a vida

Texto da autoria de Cláudia Correia, Filipa Abreu e Maria da Paz Pereira
Alunas da Pós-graduação em Bem-estar Animal, ISPA

Uma das grandes causas da posse insuficientemente ponderada de animais de companhia reside na insistência das crianças no seio familiar. A sensibilização das crianças para este tema deve, pois, ser uma acção enquadrada na estrutura escolar (com pais e educadores, professores, animadores de ATL’s, etc.). Este é o ambiente ideal para ensinar e promover práticas de bem cuidar e, ao mesmo tempo, incutir atitudes conscientes em relação à posse, pois um dos factores que desperta o desejo numa criança de ter um animal é a imitação e a influência dos pares. Em paralelo ao ambiente escolar, as associações de protecção de animais abandonados e os canis/gatis podem também exercer importante influência nas crianças alertando-as para os problemas do abandono dos animais e promovendo alternativas à posse de um animal, com apadrinhamentos, horários de visitas para cuidar de alguns animais, fazendo-lhes companhia ou levando-os a passear, ofertas de brinquedos, etc. As escolas de treino de animais podem também ser um importante veículo para ensinar os donos a corrigir problemas que se poderão agravar no futuro e levar à negligência do trato ou mesmo abandono e as crianças, cujos pais procuram estas escolas, devem acompanhar os seus animais e envolverem-se de modo a compreender as suas necessidades e tudo o que está em causa quando se toma posse de um animal de estimação.

Educar para uma posse responsável dos animais implica que os educadores ensinem as crianças a tomar decisões ponderadas e, por outro lado, crianças que aprenderam a ser responsáveis com os seus animais podem influenciar os comportamentos dos adultos e promover alternativas conscientes. As grandes lições de vida passam pelas difíceis decisões que se aprendem a tomar. Sendo as crianças um factor de peso tão grande na influência da aquisição de um animal de estimação, podem ser elas a sugerir alternativas à posse de um animal, algo muitas vezes esquecido pelos adultos. Por outro lado, sendo possuidoras, podem partilhar o seu animal.

Manter com os outros seres (não humanos) relações saudáveis e conscientes permite a construção de pilares sociais onde as crianças que hoje cuidam de modo responsável virão a ser adultos incapazes de abandonar um animal de estimação à sua sorte. Crianças com conceitos corretos de relacionamento com os animais virão a ser adultos com características sociais mais estruturadas e assentes em valores que enriquecem as relações não só entre humanos e animais, mas entre os próprios humanos.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Não Deixe os Lobos Sem Abrigo


O Grupo Lobo está a realizar uma campanha internacional de crowdfunding com vista a angariar 250 mil dólares (cerca de 200 mil euros) que lhe permita adquirir o terreno em Mafra onde se encontra o Centro de Recuperação do Lobo Ibérico (CRLI), desde a sua fundação em 1987. Isso permitiria garantir um santuário permanente para os lobos que não podem ser devolvidos ao habital natural. A campanha chama-se "Não deixe os Lobos Sem Abrigo / Don't Let Our Wolves Become Homeless", decorre até ao final de Setembro e conta com este apelativo vídeo.

Se puder, contribua! E já agora aproveite estas férias para visitar o CRLI.

sábado, 28 de julho de 2012

Ponha o Ovo na Consciência

Texto da autoria de Cláudia Valente, Inês Bergmann e Inês Órfão
Alunas da Pós-graduação em Bem-estar Animal, ISPA

Apesar da recente e noticiada alteração da lei, os consumidores portugueses parecem permanecer alheios às condições de produção de ovos em Portugal. Logicamente, e tendo em conta os tempos de crise que se vivem, o preço parece ser o principal factor na escolha dos ovos comprados, havendo uma preferência por aqueles provenientes de produção intensiva (ovos biológicos podem custar 3 vezes mais).

No entanto, as galinhas poedeiras criadas em regime intensivo habitam em gaiolas de uma dimensão reduzida e em que cada indivíduo ocupa uma área igual a uma folha A4. Deste modo, as aves estão impedidas de realizar comportamentos naturais básicos como procurar comida, fazer ninho ou cama, e estabelecer uma hierarquia essencial na estabilidade do grupo. Em oposição, comportamentos anormais como arrancar penas são frequentes e por vezes “prevenidos” com acções que provocam dor, como o corte do bico. Problemas de saúde como osteoporose são também frequentes. É também de referir que já existem diversos estudos que comprovam que modo como as galinhas são poedeiras são criadas tem uma influência real na qualidade dos seus ovos, e para muitos consumidores este factor pode mesmo ser o decisivo.

Um destes estudos, realizado pelo Eurogrupo (1998) verificou que noutros países europeus, os consumidores estavam dispostos a pagar mais por ovos de galinhas que não fossem criadas em gaiolas, mas que o desconhecimento acerca de como podiam fazer essa escolha, nomeadamente através da leitura dos códigos presentes nos ovos, dificultava essa decisão.


Por estas razões, a nossa visão é que cabe ao consumidor comunicar ao produtor, através das suas compras, o tipo de produto que quer (preço, qualidade e condições de produção), e é nesse sentido que surge então a necessidade de criar uma campanha com um título que desperte a curiosidade, como “Ponha o Ovo na Consciência ”, que informe os consumidores sobre as diversas condições de produção existentes, vantagens e desvantagens das mesmas para as galinhas, consequências no produto final, significado de códigos presentes nos ovos e que dê a conhecer mais sobre o comportamento natural destes animais.

Esta iniciativa teria interesse não só para os consumidores, que passariam a saber mais sobre o produto antes de o escolherem, para os produtores, uma vez que as exigências europeias no que toca ao bem-estar dos animais de produção serão cada vez maiores e para as galinhas, que necessitam urgentemente de alterações nas condições em que habitam, mas também para a sociedade portuguesa em geral, uma vez que o modo como os animais são tratados e a importância que lhes é dada reflete o pensamento ético de uma nação.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Comunicar bem-estar animal

Vamos dar início a uma pequena série sobre este tema, em que vamos publicar os trabalhos desenvolvidos pelos alunos da Pós-Graduação em Comportamento e Bem-Estar Animal do ISPA. Mas antes de começar a publicar estes textos, queria partilhar uma comunicação muito diferente, que nos chegou pelas mãos de uma colaboradora que esteve no congresso Minding Animals.


Agradecemos a Orsolya Varga pela foto e Monique Janssens pelo próprio poster. Quem preferir ver a comunicação em formato de texto pode encontrar o resumo (em inglês) no primeiro comentário abaixo.

Animalogos procura...

...saber mais sobre duas reportagens que passaram recentemente na televisão portuguesa, uma sobre a produção de galinhas e frangos ao ar livre em sistemas móveis e outro sobre uma exploração de vacas leiteiras com investimentos feitos na melhoria das condições dos animais.

Alguém reconhece e consegue indicar-nos os links?

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Pecuária Tradicional: o valor dos nossos recursos naturais


No ANIMALOGOS temos vindo a defender formas de produção pecuária mais holísticas e menos intensivas e já aqui abordámos algumas das principais questões éticas relacionadas com o consumo de carne. Em A Ética de um Bom Bife, a Anna Olsson apelou a uma diminuição do consumo em bases ambientais e nutricionais, ao passo que Peter Sandoe em Meat is Murder contextualiza o acto de matar um animal para o comer. No que me diz respeito, vou procurar defender o valor das raças autóctones no contexto de uma pecuária tradicional.

Várias notícias que têm vindo a público fizeram-me pensar sobre este assunto. O Jornal Público de hoje (de onde vem a excelente fotografia de Rui Gaudêncio) noticia que "um rebanho de cabras vai ser utilizado para reduzir os riscos de incêndios florestais no planalto de Jales, em Trás-os-Montes" (pode encontrar a notícia aqui). É uma estratégia de adição de baixos valores na procura de um valor maior: os terrenos têm reduzido valor agrícola e florestal, estão abandonados (e com elevada biomassa) e as cabras são animais com baixo valor nominal. No entanto, as cabras são também animais altamente adaptados ao clima, terreno e vegetação da região, permitindo maximizar recursos que de outra forma se perderiam.

Este exemplo vem reforçar a minha visão de que os animais domésticos que nos acompanham há centenas ou mesmo milhares de anos fazem, de facto, parte daquilo a que chamamos natureza. Eles não devem ser vistos como um produto da acção humana que interfere no ambiente, destabilizando-o, mas sim como parte integrante do meio ambiente. Voltando às cabras, elas não só podem contribuir para a prevenção de fogos, como contribuirão para o próprio ecossistema: seleccionando as plantas que ingerem, fertilizando os solos, e fazendo parte da cadeia trófica do lobo ibérico. De um ponto de vista ecocêntrico, as espécies estão interligadas, independentemente de serem domésticas ou selvagens.

Por isso é que a investigação em recursos genéticos e biológicos é tão importante. A criação do Banco Português de Germoplasma Animal em 2010, vem permitir o estudo e preservação do património genético das raças autóctones, conferindo às gerações futuras a capacidade de melhor se adaptarem às alterações no seu ambiente (muitas das quais provocadas por nós). Na esteira de Hans Jonas, é nossa responsabilidade defender a pecuária tradicional como parte da "dignidade própria da natureza". Os desafios são, porém, imensos. Caso paradigmático é o Porco Alentejano (porco preto), raça autóctone criada em regime extensivo e alimentada a bolotas durante a maior parte da sua vida. O Porco preto poderá estar em risco de extinção porque sofre a concorrência de produtos não diferenciados e porque depende do ecossistema do montado que, apesar do seu elevado valor ecológico (ver documentário da BBC), está também em declínio.

Mas o apelo às raças autóctones não se aplica por igual a todas as formas de produção pecuária devido ao  conflito entre valores biológicos-ecológicos e económicos. É o caso do leite onde o factor quantidade suplanta qualquer apelo à sustentabilidade. Mas mesmo num cenário "monomarca" em que a variabilidade genética é muito reduzida (praticamente todos os animais são de raça Frísia-Holstein) é possível diferenciar produtos e caminhar no sentido de uma maior sustentabilidade. Um estudo científico (a confirmar) realizado pelo Instituto Nacional de Recursos Biológicos traz algumas evidências de que a carne de bovinos açorianos (mesmo sendo de vacas leiteiras refugadas) tem características benéficas para a saúde de consumidores. De facto, o leite açoriano é produzido num regime semi-intensivo, em que as vacas têm acesso a pasto. Isto resulta, associado a um bom maneio, num maior potencial de bem-estar animal, numa menor dependência de alimentação comercial e em produtos mais saudáveis.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

II Congresso PSIAnimal


O programa final para o segundo congresso PSIAnimal, a decorrer em Lisboa em Setembro, está agora disponível. Com duas partes temáticas, o congresso conta com participação de investigadores portugueses e internacionais. 



No tema Animais de Companhia – Cão e Gato, 22 e 23 de Setembro, as palestrantes convidadas internacionais são as médicas veterinárias especialistas em medicina de comportamento de animais de companhia Sarah Heath e Tiny de Keuster



No tema Animais de Produção e Equinos, 29 e 30 de Setembro, os palestrantes convidados internacionais são os investigadores Patrick Pageat, presidente do European College of Veterinary Behavioural Medicine – Companion Animals e Isabelle Veissier, membro da comissão organizadora do projeto Welfare-Quality e do WelfareQuality Network.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Matthias Kaiser, afinal é melhor cultivar peixe do que pescar?


Anna Olsson: Olá Matthias Kaiser. Num artigo recentemente apresentado na última reunião da European Society for Food and Agricultural Ethics, o Matthias argumenta que os consumidores alemães deviam ser menos presunçosos em relação aos peixes que consomem e aceitar que a aquacultura sustentável é uma boa maneira de produzir peixe. Poderia descrever o seu raciocínio aos leitores do animalogos ?

Matthias Kaiser: Obrigado por me darem esta oportunidade. Eu procurei abordar a típica atitude do género: "Ei, mesmo quando a aquacultura é bem feita, eu vou sempre para o peixe selvagem, que, de qualquer forma, é melhor e mais sustentável - não se pode vencer a natureza, pois não?" Eu acredito que isto é errado por várias razões, entre as quais razões éticas. Uma razão é que estamos seriamente a sobrepescar os stocks naturais nos oceanos, o que também resulta em preços mais elevados para o peixe selvagem capturado. Os padrões de consumo baseados em produtos da pesca só podem ser mantidos pelas partes ricas do mundo, excluindo a maioria das outras pessoas. Isto resulta no privilégio dos ricos em explorar os comuns em detrimento dos pobres. Além disso, e considerando mais uma vez as partes mais pobres do mundo, deve-se olhar para a questão das mudanças climáticas. Embora tenhamos sido nós, os mais ricos, a provocar o problema, são os países mais pobres quem já está a sofrer os seus efeitos. Uma boa forma de ajudar esses países a superar os piores problemas das alterações climáticas é envolvermo-nos em trocas comerciais de produtos de aquacultura, o que também contribui positivamente para o seu desenvolvimento social e económico. Assim, comprar peixe proveniente desses países seria uma – ainda que pequena – forma de assumirmos alguma responsabilidade pelos problemas que causamos.


AO: O debate na Alemanha tem sido, talvez, mais focado nos aspectos ambientais, mas o cepticismo em relação à aquacultura é bem conhecido também em Portugal, onde nenhum restaurante iria falar com orgulho de seus peixes provenientes de aquacultura e onde escritores gastronómicos falam pejorativamente em "peixe enjaulado". ou "de aviário" Tem alguma mensagem para eles?

MK: Essa expressão traz-nos imediatamente à memória "porcos enjaulados" ou "galinhas enjauladas" e mostra que os consumidores actuais começaram a preocupar-se com o bem-estar animal, e não apenas com o preço ou a qualidade do produto.  (Nota da animalogante: Penso que é mais na qualidade do produto do que na qualidade da vida do  animal que se pensa quando se fala do "peixe do aviário"). Vejo-o, de um ponto de vista ético, como um bom desenvolvimento. O problema, no entanto, está em agruparmos coisas que deviam ser avaliadas de forma separada. Em primeiro lugar, até mesmo os piores casos de "galinhas enjauladas" podem não ser um argumento suficiente derrubar todos os tipos de produção em grande escala. Na verdade, é justamente por estarmos dependentes da produção animal em larga escala que precisamos de melhorar o bem-estar animal desses animais. Em segundo lugar, em aquacultura isso depende em grande medida da espécie e do tipo de sistema utilizado. Na Noruega, os produtores de salmão aprenderam da pior maneira que uma densidade muito grande nas gaiolas afecta seriamente a qualidade do produto e aumenta a probabilidade de surtos epidémicos. Eles também aprenderam que o animal precisa de um ambiente onde o comportamento natural de natação não é restringido. Infelizmente, apenas nos últimos anos emergiu uma investigação que visa uma compreensão mais holística do bem-estar em peixes, e que só lentamente vai influenciando a indústria. Além disso, a densidade de peixe não é sempre um problema, tudo depende das espécies de peixes e do ambiente: os peixes-gato preferem estar muito próximos uns dos outros em águas lodosas, já que nas águas cristalinas eles se sentem ameaçados. Onde eu quero chegar é que é possível manter o bem-estar em aquacultura, o que muitas vezes já é feito. Há pontos de equilíbrio entre, por um lado, bem-estar animal e produção em grande escala, por outro.

Assim, a minha mensagem para os consumidores portugueses seria: "Comece fazendo perguntas mais exigentes em restaurantes ou supermercados, como por exemplo: de onde é que vem este peixe? A sua produção e comercialização são certificadas de alguma forma, em particular no que diz respeito a sustentabilidade ambiental, bem-estar animal e ética comercial? "


AO: Sendo eu própria agronoma, sou um pouco céptica em relação à aquacultura por um motivo muito diferente. Todos os animais terrestres que cultivamos para obtenção de carne alimentam-se essencialmente de plantas, mas os peixes de cultivo são geralmente de espécies carnívoras (as excepções, como a carpa, não são geralmente aceites na Europa como espécies alimentares). Sabemos, a partir das discussões sobre sustentabilidade, que a produção de proteína animal para consumo humano é muito mais ineficiente do que se os humanos comessem directamente a proteína vegetal. Agora, obter proteína animal consumindo peixes que por sua vez se alimentam de proteína de peixe, isso não aumenta o problema exponencialmente?

MK: Agora colocou o dedo na questão mais importante: estaremos simplesmente a usar peixe barato para produzir peixe caro? Por outras palavras, podemos justificar eticamente a alimentação de peixes com proteínas derivadas de outros peixes? [Para tornar a questão ainda mais complicada, devemos acrescentar que também os animais terrestres são, em grande medida, alimentados com ração contendo proteína de peixe, ou seja, uma quantidade significativa da produção industrial de farinha de peixe e de óleo de peixe vai para a agricultura industrial (porco, aves, ruminantes, etc.)]. Concordo plenamente consigo que o uso de proteínas de peixe na alimentação animal deve ser reduzida, ao invés de aumentar. Eu não concordo que a questão esteja na eficiência de conversão energética. Mas, mais uma vez, o diabo está nos detalhes:
Na aquacultura, a "pior" espécie é o salmão (atum e alguns outros, também), ou seja, em princípio, quaisquer espécies carnívoras no topo da cadeia alimentar. O problema é que estas espécies têm o valor de mercado mais elevado e são, portanto, muito procuradas. Nós, os países ricos, somos os principais produtores de salmão, principalmente a Noruega e a Escócia (na Europa). Os produtores de salmão também já perceberam que a proteína de peixe é um ingrediente problemático na alimentação dos peixes, por causa do aumento dos preços. Por isso estão a reduzir a quantidade de proteína de peixe na alimentação (substituindo-a, por exemplo, por soja) e têm tido algum sucesso a fazê-lo. Eles também mencionam o facto do salmão ser um conversor de energia muito eficiente, muito mais eficiente do que qualquer outro animal de produção.
Mas eu sou mais optimista em relação a todas as outras espécies que importamos, em especial da Ásia. O peixe-gato (Pangasius) é uma espécie omnívora, assim como o tilápia. Os camarões também comem todo o tipo de coisas, e são, portanto, muito menos dependentes de suplementos de proteína de peixe. A ração de camarões é feita, em grande medida, de subprodutos da pesca, inaproveitável para consumo humano. Em muitos lugares a aquacultura está integrada com a produção agrícola (por exemplo, peixes com aves, usando os excrementos de aves para alimentar os peixes). Embora seja verdade que a carpa não é muito popular na Europa e os EUA (embora seja muito popular na China), ainda temos a opção de incluir espécies na nossa dieta que são menos exigentes em termos de proteína de peixe (N.T. é o caso da truta).

Em suma, o meu argumento é o seguinte. A não ser que nos tornemos todos vegetarianos (que é uma opção ética, mas não necessariamente abraçada por todos nós), se quisermos ter um estilo de vida saudável, com redução dos efeitos climáticos deletérios, devemos: (i) comer mais produtos aquáticos (e muito menos carne), (ii) escolher os produtos aquáticos, provenientes de aquacultura sustentável e certificada, e (iii) privilegiar o consumo de espécies omnívoras, que exigem menos proteína de peixe na sua alimentação. O que precisamos é de um consumidor consciente que faz perguntas mais exigentes e específicas, e uma indústria que responde à necessidade de corrigir as formas insustentáveis de produção.

Traduzido do inglês por Manuel Sant’Ana (segundo a antiga ortografia).