segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Trabalhar com Bem-Estar Animal em Portugal: Gonçalo Pereira, Universidade Lusofona e PsiAnimal

Gonçalo Pereira, professor auxiliar, Universidade Lusofona de Humanidades e Tecnologia

Olá Gonçalo, lançaste recentemente a PSIANIMAL - Associação Portuguesa de Terapia do Comportamento e Bem-estar Animal. Podes contar um pouco mais sobre esta associação?
Esta associação surgiu de um grupo de vários investigadores, clínicos, etólogos e "welfarists" que tinham um desejo comum... poder contribuir na divulgação e desenvolvimento da terapia comportamental e bem-estar em animais (não humanos) em Portugal. Assim, somos uma equipa multidisciplinar (tal como é requerido para o desenvolvimento do Comportamento e Bem-estar Animal), constituída por veterinários, biólogos, etólogos, psicólogos, antropólogos, entre muitos outros profissionais. Todos nós temos um mesmo propósito: a concretização duma associação portuguesa forte com projecção nacional e internacional em comportamento e bem-estar.
Porque é que esta associação fazia falta em Portugal?
Até ao momento não havia nenhuma organização em Portugal que fizesse o trabalho a que nos propomos. Ou seja, associações de Etologia há, associações profissionais nas diferentes áreas também há, associações de protecção animal há, mas queremos ser mais do que isso. E porque somos uma equipa multidisciplinar que engloba várias áreas profissionais e científicas acreditamos poder ser uma entidade que possa apoiar, em frentes diversas, entidades públicas e/ou privadas, podendo inclusivamente participar em projectos de regulamentação de actividades relacionadas com o bem-estar animal (como órgão consultivo) e com a terapia comportamental. A PsiAnimal tenciona assim valorizar e dar a conhecer toda a riqueza desta área ainda muito pouco desenvolvida em Portugal. Felizmente, a procura crescente junto da população em geral e a nível académico fortaleceu estas nossas convicções na necessidade imperativa da criação desta associação.
Quem se pode fazer sócio?
Temos 3 tipos de sócios:
1. Os sócios efectivos, que são os profissionais que trabalham e investigam na área do Comportamento e Bem-estar (todos os diferentes académicos, investigadores ou profissionais que tenham um trabalho relacionado com esta área);
2. Os sócios afiliativos, que são os profissionais que trabalham em conjunto com os anteriores, no sentido de darem continuidade ao trabalho nesta área (treinadores, tratadores, pessoal técnico que trabalhe directamente com o Comportamento e Bem-estar);
3. Os sócios estudantes de cursos relacionados com o Comportamento e Bem-estar (que serão futuros sócio efectivos).
Para mais informações poderão contactar a PsiAnimal para: psianimal.geral@gmail.com Estamos a preparar já o I Congresso da Associação para 17 e 18 de Dezembro!
És pioneiro nesta área de actividade em Portugal. Há quanto tempo trabalhas com terapia comportamental em animais de companhia? Como começou?
Não sei se serei pioneiro, mas sei que estou cá para o que for necessário e defender aquilo em que acredito! Comecei ainda como estudante de medicina veterinária a trabalhar em Bem-estar Animal com organizações não-governamentais de Bem-estar e Protecção Animal, nacionais e Internacionais. Em terreno nacional, comecei por trabalhar para a Liga Portuguesa dos Direitos do Animal (1995). Depois tive um convite para ser consultor da Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA), e a partir daí passei a trabalhar com várias organizações nacionais e internacionais (entre as quais a World Society for the Protection of Animals, Cat Protection League, Eurogroup for Animal Welfare, entre muitas outras). Nessa altura estava a terminar o curso de medicina veterinária e achei que a área do Comportamento e Bem-estar era mesmo o que eu queria e acreditava que podia ajudar ao desenvolvimento do meu país. Na altura não havia nada pelo país, e tive que ir fazer formação para o estrangeiro.... Fui então para a Universidade Complutense de Madrid, onde fiz o meu Mestrado em Etologia Clínica e Bem-estar Animal. Depois tive um convite para ser responsável da Disciplina de Comportamento, Bem-estar e Protecção Animal na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, o qual aceitei de imediato. A partir daí comecei a participar em grupos nacionais e internacionais nesta área de investigação e fui convidado para pertencer à Direcção da European Society of Veterinary Clinical Ethology, da qual sou o actual Vice-Presidente. Agora estou a fazer o meu Doutoramento no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, agrupando na minha tese várias áreas que adoro: gatos, comportamento e bem-estar e medicina interna. Acho que vou conseguir provar algumas hipóteses minhas que poderão dar um grande avanço nesta área.... Assim espero!
Como estão os animais de companhia em Portugal – bem ou mal? Melhor ou pior do que há 15 anos?
As mudanças nos últimos anos têm sido muitas mesmo! Em todas as áreas, desde profissionais, como académicos, como investigadores, como políticos, chegando esta mudança ao público em geral (onde se incluem as crianças!). A preocupação com o Comportamento e Bem-estar Animal tem tido um crescente aumento, e exemplo disso são as várias mudanças que imperam desde a nível legislativo, como o aparecimento de um novo partido, pelos animais.... Acho que está tudo mesmo a mudar! Quero acreditar que as mudanças têm sido tantas que dentro de pouco tempo conseguiremos apanhar os mais avançados da Europa. O surgimento da PsiAnimal é também reflexo destas mudanças e que irá certamente contribuir para uma evolução mais rápida e sólida
Há pouco mais do que 2 meses, Assunção Cristas tomou posse como a nova ministra de Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento. Quais consideras ser os assuntos mais urgentes para esta nova responsável máxima de bem-estar animal em Portugal?
Urgentes? Há algo nesta área que não seja urgente? Antes demais, aproveito para desejar à nova Ministra o maior sucesso. Quero acreditar que o bom senso irá imperar, mas tem uma casa imensa para arrumar. Esperemos que dê continuidade a alguns assuntos que foram deixados pelo anterior executivo e que se saiba rodear de quem possa ser uma boa influência para o avanço nacional. Os problemas são muitos, que vão desde áreas como a produção, passando pela área da experimentação animal, animais de companhia (onde se incluem os supostos "novos animais de companhia"), e animais selvagens em cativeiro (parques zoológicos e afins). Enfim, o que poderei dizer à Dr.ª Assunção Cristas, é que se necessitar de apoio consultivo da PsiAnimal, temos entre os nossos sócios vários profissionais que poderão ser a boa influência que anteriormente referi. Por isso, a PsiAnimal dispõe-se desde já a apoiar tanto o Ministério como qualquer outra entidade que de nós precise.

3 comentários:

  1. Bem vindo ao Animalogos, Gonçalo! E parabéns pela iniciativa de criar a PSIANIMAL. Penso que, para já, a grande virtude da associação é a sua multidisciplinariedade, algo raro no panorama nacional. Estou certo de que será bem sucedida. Fico à espera do Congresso!

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  2. Boa noite.
    estou com um problema com a minha cadela, ela não come. acho que a ensinei mal. neste momento não me encontro bem a nível financeiro e não a posso levar a um veterinário.
    preciso de ajuda, tenho medo que o pior possa acontecer.como vos posso contactar.
    por favor ajudem-me , obrigada.
    espero por uma resposta vossa.

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    Respostas
    1. Olá anónimo.

      Agradecemos o seu contacto e lamentamos pela sua cadela. Se pensa que ela está doente, recomendamos que se dirija ao médico veterinário assistente o quanto antes. Só ele lhe poderá dizer se o problema é do foro comportamental ou nao. Estou certo que o médico veterinário será capaz de tornear a a sua pouca disponibilidade financeira. Mas nao deixe que isso impeça a sua cadela de ser tratada.

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